Gosto do pão que esfarela. É sinal de que foi feito com amor, com zelo. Como sem cuidado. Minha fome e vontade nem sempre tem educação, e nunca tiveram orgulho. Como depressa, derrubando as migalhas na mesa e no chão.
Toalha de mesa não tem vaidade, seja de crochê, de renda, de plástico, adamascada, bordada, redonda. Por mais que ela esteja suja, manchada, você nunca vai ouví-la reclamar. Diferente da estante, que qualquer coisinha fora do lugar é gritante, a mesa aceita as migalhas. Não reclama da sujeira, não se importa em estar usada. Ela nasceu pra servir e não reclama outros direitos.
É tão bom sacudir a toalha de mesa. Me parece o cuidado que se deve ter com as mulheres. É como morder a carne que não deve sangrar. Morder os lábios sem tirar um pedaço da boca. Arranhar as costas, como quem arranha um violão. Não se arranha por maldade, apenas arranhamos pra ouvir uma canção ou um gemido.
Gosto dos farelos de pão sobre o chão da sala. Gosto de deixar as migalhas, pra que o vento tenha o que levar. E pra que nenhum passáro passe fome na poesia.
(Rodney Weverson)

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